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Diário de Viagem – Cunha, 23 e 24 de Agosto

Nossa jornada começou cedo, partindo do Hotel Golden Tower em São Paulo, com um grupo animado e cheio de expectativas. Fizemos uma parada em São José dos Campos, no Parque Santos Dumont, para receber novos integrantes e seguimos rumo à serra. A paisagem ao longo do caminho já anunciava o tom da viagem: montanhas recortadas pela neblina da manhã, cores verdes intensas e um ar fresco que nos preparava para viver a Arquitetura da Paisagem em sua essência.


Ainda pela manhã, chegamos ao Museu Francisco Veloso. A visita guiada com o arquiteto Andreas nos revelou não só a história de Cunha, mas também a alma do casarão que abriga o acervo. Entre paredes ornamentadas com estêncil, janelas preservadas, telhado antigo e piso de madeira que carrega o peso do tempo, percebemos como a arquitetura guarda memórias. O espaço ainda nos levou às tradições religiosas e à mandioca — raiz que sustenta a cultura alimentar e econômica da região.


No almoço, fomos recebidos em um casarão histórico, de pé-direito alto e cômodos generosos. O sol entrava pelas janelas e aquecia as mesas espalhadas entre os ambientes internos e o quintal ensolarado. A comida típica regional, carregada de sabor e afeto, foi um verdadeiro mergulho na hospitalidade da cidade.


Em seguida, visitamos a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, onde acompanhamos de perto detalhes do restauro: materiais, campanhas de preservação e a íntima relação entre religiosidade e arquitetura. No Mercado Municipal, a fachada já anunciava o valor histórico do espaço. Descobrimos como uma antiga capela deu lugar ao mercado, cuja estrutura em alvenaria, com vigas robustas e vãos livres, revela cuidado com conforto térmico e amplitude. Entre quitutes, doces, artesanatos e até um chafariz preservado, a arquitetura se mostrava como cenário vivo da identidade cultural de Cunha.


No fim da tarde, o Lavandário de Cunha nos recebeu como um espetáculo sensorial. Jardins lilases se espalhavam pelo horizonte, exalando perfumes que se misturavam à brisa da serra. Degustamos doces, sorvetes, chás, cervejas e perfumes de lavanda enquanto o sol se punha em tons dourados e violetas sobre as montanhas — uma aquarela natural que coroou o dia com poesia.


Após o check-in no hotel, tivemos um breve descanso. Reunidos novamente, levantamos taças para um brinde especial: um espumante que celebrou o encontro, a amizade e a energia compartilhada naquela viagem. Só então seguimos em pequenos grupos para explorar a cena gastronômica da cidade. Alguns escolheram massas italianas, outros um lanche artesanal, e outros ainda um bistrô japonês com cervejas locais. Entre risos e conversas, caminhando pelas ruas charmosas de Cunha, ficou claro que a cidade não se revela de uma só vez — ela se entrega em camadas, como sua arquitetura, seus sabores e suas paisagens.


O segundo dia começou com um café da manhã caprichado no hotel, daqueles que já trazem o calor do acolhimento serrano. De lá seguimos para o Ateliê de Cerâmica Suenaga e Jardineiro, onde o simpático Gil nos recebeu. O espaço nos apresentou o universo da cerâmica de alta temperatura, tradição japonesa que transformou Cunha em polo artístico. O fogo dos fornos noborigama, o cheiro do barro queimado, as texturas imprevisíveis e os esmaltes naturais mostravam como a paisagem também se expressa na argila moldada pelo tempo.


Na Casa do Artesão, percorremos diferentes estilos e técnicas de ceramistas locais. Cada peça parecia carregar um pedaço da serra — nas cores terrosas, nas formas orgânicas, na fusão entre tradição e contemporaneidade.

O almoço em um restaurante tradicional com produção de cerveja artesanal nos ofereceu mais sabores da região. Entre pratos típicos e rótulos locais, brindamos novamente, celebrando a viagem como experiência de partilha.


Encerramos no Olival Sempre Olivas, onde fomos recebidos por Davi. Ele nos apresentou o processo de produção do azeite, do cultivo das oliveiras ao cuidado da extração. O perfume fresco do azeite recém-prensado se misturava ao cheiro da terra e ao vento da serra. Degustamos azeites intensos enquanto a paisagem se estendia em horizontes verdes diante de nós. O pôr do sol, entre olivais e montanhas, fechou a viagem com cores douradas e aromas inesquecíveis.


Voltamos para casa com a alma leve e os sentidos aguçados. Cunha nos mostrou que a verdadeira Arquitetura da Paisagem se constrói no encontro entre natureza e cultura: no perfume das lavandas, no frescor do azeite, no calor do barro queimado, nas cores do entardecer e nos sabores que conectam corpo e memória ao território.



E se Cunha foi poesia sensorial em forma de paisagem, deixamos o convite: em outubro, será a vez de viver a Arquitetura Carioca. O Rio de Janeiro nos espera, onde montanhas encontram o mar, o moderno dialoga com o colonial e a cidade se revela como um espetáculo arquitetônico diante do Atlântico.


 
 
 

3 comentários

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Prudence
há uma hora
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Cheguei para o por do sol maravilhoso no lavandario e me juntei a turma animadissima pra fazer novos amigos 😎 dá pra voltar ??? Saudadedocêis todos 😘 bjo bjo

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Convidado:
há 6 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Cunha é uma cidade encantadora. A viagem com Caminhos da Arquitetura fica melhor ainda. Estar com amigos e conhecer outros é especial. Parabéns Adriel e Marcelo por proporcionar-nos momentos tão lindos.

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Angela
há 7 horas
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Viagem inesquecível. Grupo maravilhoso e a energia de Marcelo e Adriel motiva,diverte e dá vontade de viajar muito mais com o Caminhos

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