Diário de Viagem – Petrópolis com o Caminhos da Arquitetura
- Caminhos da Arquitetura
- 27 de jul.
- 4 min de leitura
Atualizado: 28 de jul.

No dia 18 de julho de 2025. Saímos de São Paulo com nosso grupo animado, fazendo a primeira parada em São José dos Campos antes de embarcarmos rumo a uma nova aventura em Petrópolis. Uma viagem que prometia não apenas paisagens, mas memórias, história, cultura... e muita arquitetura.
A estrada foi tranquila e o grupo, diverso e curioso, já trocava histórias e expectativas. Chegamos cedinho e nosso primeiro momento foi acolhedor: um café da manhã na tradicional Casa do Alemão, com quitutes típicos, mas foi o bom e velho café com leite e pão na chapa que aqueceu nossos corações para o dia que estava apenas começando.
Nossa imersão arquitetônica começou com a imponente Catedral São Pedro de Alcântara, joia do neogótico francês do século XIX. Com sua pedra fundamental lançada em 1884, sob os olhares de D. Pedro II e Princesa Isabel (cujos restos mortais ali descansam), a Catedral impressiona com seus 70 metros de comprimento, vitrais coloridos e uma aura que nos transporta no tempo. A alvenaria em pedra aparelhada e a obra em cantaria de granito são um verdadeiro poema construído.
Seguimos caminhando pelo centro histórico de Petrópolis, cercados por casarões tombados que contam, através de suas fachadas e detalhes, a evolução da arquitetura brasileira. Estilos como o neoclássico, o eclético e o imperial se revelavam em cada esquina — muitos deles abrigando museus, centros culturais e famílias que preservam, ali, o pulsar da cidade.
Nossa visita ao Museu Imperial, antigo Palácio de Verão de Dom Pedro II, foi um mergulho no passado. Ao calçarmos as famosas pantufas para proteger os pisos originais, nos divertimos tentando manter o equilíbrio, entre risadas e fotos. Lá dentro, o mobiliário, os vitrais, os documentos e os salões respiravam história e beleza neoclássica.
A caminhada seguiu até o elegante Palácio de Cristal, com sua estrutura metálica e painéis de vidro. Um espaço originalmente dedicado a exposições, hoje é palco de eventos culturais. A luz que atravessa seus vitrais cria uma atmosfera quase mágica.
Depois, fomos surpreendidos pela charmosa e inventiva Casa de Santos Dumont, projetada pelo próprio gênio da aviação. A casa, construída em um terreno inclinado, exibe soluções criativas e móveis originais — um testemunho da mente brilhante de seu morador. Próximo dali, conhecemos uma réplica do icônico 14 Bis, que encantou o grupo.
Caminhar pelas ruas de Petrópolis é como folhear um livro vivo de arquitetura. A cada passo, novas fachadas, novas histórias. E com nosso guia atento, cada detalhe era uma descoberta compartilhada.
Ao final da tarde, chegamos ao grandioso Palácio Quitandinha, símbolo máximo da sofisticação da década de 1940. Projetado com influência normando-francesa, o antigo hotel-cassino recebeu a elite nacional e internacional, como Carmen Miranda e Walt Disney. Com interiores assinados por Dorothy Draper, ícone do design norte-americano, o Quitandinha hoje abriga eventos e exposições em parceria com o SESC — e continua sendo um marco arquitetônico e cultural.
Já instalados no hotel, o grupo se dividiu: parte seguiu para um jantar descontraído no restaurante ao lado, brindando à viagem com cervejas artesanais e uma infinidade de batatas (quantas variações deliciosas!). Entre brindes e gargalhadas, foi um momento de pura confraternização.
Outro grupo foi conhecer a 1ª cervejaria do Brasil, onde música ao vivo e o clima acolhedor embalaram a noite. Encerramos o dia com o coração aquecido e o espírito leve.
Na manhã seguinte, Petrópolis nos recebeu com uma brisa suave e o cheiro irresistível do nosso café da manhã colonial. Era impossível não se encantar com a variedade que nos esperava: pães artesanais ainda quentinhos, bolos caseiros de fubá, milho e chocolate, geleias de frutas da serra, frios frescos, queijos da região, sucos naturais, frutas coloridas, café passado no coador e aquele leite espumante, digno de abraço em forma de xícara. Um verdadeiro banquete matinal, repleto de afeto e sabor, que nos energizou para mais um dia de descobertas.
E como se o café não bastasse para chamar atenção, nosso grupo ganhou ainda mais destaque: as camisetas rosa do Caminhos da Arquitetura criaram um contraste encantador com os salões neutros do hotel. Por onde passávamos, os olhares se voltavam para nós com curiosidade e simpatia. Era como se a cidade soubesse: ali estava um grupo diferente, unido por uma paixão em comum — a arquitetura, o viver coletivo e o prazer de explorar o mundo com outros olhos.
Entre risadas, fotos, e garfadas generosas de bolo de milho com goiabada, reforçamos laços e recarregamos as energias. O café foi mais do que uma refeição: foi um momento de acolhimento, conexão e beleza compartilhada — com cheiro de pão quente e cor de rosa vibrante.
Encerramos nossa viagem com chave de ouro no majestoso Castelo de Itaipava. Construído em 1920 pelo Barão J. Smith de Vasconcellos e projetado por ninguém menos que Lúcio Costa (futuro autor do plano de Brasília), o castelo impressiona por sua arquitetura medieval com toques normandos, mármores italianos, cristais austríacos e móveis de época. Almoçar naquele cenário foi como viver uma página de um conto europeu em pleno Brasil.
Com o coração leve e o olhar mais atento aos detalhes, voltamos para casa renovados. Foram dias intensos de descobertas, vivências, risos e conexões. Cada cantinho de Petrópolis nos ensinou algo — e cada pessoa do grupo deixou sua marca nessa viagem.
Até a próxima aventura! Cunha nos espera com seus aromas, sabores, cores e formas escondidas nas montanhas.
As viagens do Caminhos sempre nos surpreendem. As camisas são um charme à parte ..
Nossa viagem com um grupo incrivel, vivendo experiencias na arquitetura imperial de Petropolis....Foi maravilhoso.....😍😍😍